MAZUCA DE OUTRO VERÃO - PÍLULA MIXTAPE III
eu costumava escrever com essa música. costumava escrever movimentos puros. preciso pausar essas palavras um instante para conferir o nome dela. "Comptine d'un autre été, l'après-midi", de Yann Tiersen. trilha de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, filme que via e revia lá pelos 13 anos e hoje dispenso. eu costumava escrever com essa música durante algumas madrugadas onde me apaixonava pela ideia de alguém. de criar alguém. de amar alguém. rima de outro verão, tarde. é isso que o google tradutor diz que esse título significa. aquela vida onde eu costumava escrever com essa música parece rima de outro verão, tarde. às vezes sinto que aquela que se foi cedo, se foi tarde demais em mim. ao mesmo tempo em que ela continua aqui quando essa música toca numa playlist aleatória. e de repente é como se eu me lembrasse de escrever assim, como quem conversa, como quem concede, como quem não tem sede porque se saciou no ato da primeira palavra pensada e depois dita, aqui no código onde posso ser lida. tenho memórias do meu bisavô tocando acordeom na porta estreita de uma casa branca e azul na roça onde o visitávamos vez ou nunca. lembro de sentar no sofá da sala minúscula e vê-lo repousar aquela caixa de música, que nos meus olhos pequenos parecia imensa, e fazer ventar fogo de um som que entrou nos meus pulmões. depois minha avó contou que o biso chamava os sanfoneiros pra tocar a Mazuca e todos na roça dançavam muito felizes a noite toda. nunca ouvi a Mazuca, mas recentemente ouvi canções de Zydeco e senti ódio da arrogância da América do Norte. enquanto isso, falo inglês sozinha e decoro letras de rap norte americano pra treinar minha dicção.
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